A comunicação e as fake news

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A comunicação e as fake news

A comunicação e as fake news

 “A melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor.” (Gabriel García Márquez)

Em 1994, o Brasil acompanhou uma das histórias mais marcantes do jornalismo no país. Os donos de uma escola de educação infantil, o motorista da perua e um casal de pais de um aluno foram acusados por duas mães de abuso sexual.

A conduta precipitada da polícia e a cobertura da imprensa resultou numa combinação explosiva: a escola fechou e os danos à reputação dos acusados foram irreversíveis.

O “Caso da Escola Base” como ficou conhecido é um clássico exemplo do que pode acontecer quando não se confere a informação com extremo cuidado. Em junho do mesmo ano, os acusados foram inocentados por falta de provas.

A declaração de inocência, no entanto, não resgatou suas vidas do imenso lamaçal de mentiras no qual foram afundados.

U so o exemplo do Caso da Escola Base para que possamos refletir sobre a importância da boa comunicação e a seriedade de repassar uma informação falsa.

Estamos tão habituados com o termo fake news que não nos importamos mais. Certa vez, conversando com um amigo, ele me disse o seguinte: “Como posso conferir se cada mensagem que recebo é uma fake news?

São várias por dia! Não tenho tempo pra isso. O dono da mensagem é quem tem que se responsabilizar pela comunicação”.

O que meu amigo não entende é que quando se repassa uma informação, você passa a ser o “autor” dela. Não temos o costume de dizer “Meu amigo me mandou um áudio que recebeu de um primo”.

Dizemos “um amigo me mandou um áudio”. E isso confere veracidade àquilo que pode ser nada além de uma fake news.

Por isso, os dedos que clicam em encaminhar não podem ser mais rápidos do que os dedos que vão no Google e pesquisam sobre o tema e a fonte da notícia.

A responsabilidade pela comunicação inverídica também é nossa!

No ambiente corporativo, as fake news nada mais são do que uma atualização da rádio peão. Porque se é dito na rádio que toca nos corredores, ainda é extraoficial.

E, portanto, não é necessariamente verdadeiro.

Quantas pessoas já ficaram sem dormir por causa de fake news sobre demissões, corte de salários, fechamento de unidades?

Quantas foram “envolvidas” em casos amorosos com superiores para justificar aquela promoção?

Situações como essas são desafios ao departamento de comunicação de várias empresas. E lutar contra elas, às vezes, pode ser semelhante a “enxugar gelo”.

Comunicação pela metade

S ão inúmeros os textos que nos ensinam a como não ser enganado por uma fake news. Mas quero refletir sobre a nossa responsabilidade de sermos propagadores de fake news. Porque uma “meia verdade” nada mais é do que uma mentira.

É certo que, muitas vezes, cometemos erros de repassar algo que acreditávamos plenamente ser verdadeiro. Que atire a primeira pedra quem nunca o fez. Mas que se trate de um deslize e não de um hábito.

Não seja um canal da má comunicação

  • Se você recebeu um áudio, vídeo, notícia, verifique a veracidade antes de encaminhar. Uma busca rápida no Google pode ajudar.
  • Há vários sites de checagem de conteúdo na internet. Use e abuse deles.
  • Geralmente, as fake news trazem informações superficiais, não muito detalhadas. Algo como “um pesquisador de uma universidade falou…”.
  • No ambiente corporativo, procure os responsáveis pela comunicação e pergunte sobre a autenticidade da informação/notícia que você recebeu antes de comentá-la com colegas.
  • As fake news também causam estragos na família e entre amigos. Um antigo ditado rabínico diz que a calúnia “mata três: aquele que fala, aquele que ouve e aquele sobre quem é falado”.

George Orwell disse: “Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário”.

Q ue sejamos revolucionários, então! Às armas, bravos combatentes da comunicação!

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